Karina Rodrigues: Suomi Lover conhece a Finlândia e conta como foi realizar este sonho

O projeto Suomi Lovers abre espaço para você contar como foi sua viagem à Finlândia. Envie sua história com nome completo, cidade  / estado onde vive e fotos da sua viagem para suomilovers.br@gmail.com

POR KARINA RODRIGUES
Jornalista
Barueri – SP

Tudo começou com as bandas de Heavy Metal: Nightwish, Children of Bodom, Finntroll… nunca iria pensar que um país tão pequeno pudesse abrigar bandas tão sensacionais! Fui pesquisar mais sobre a cultura, o clima, a história e – boom – fiquei encantada! Isso aconteceu há uns 10 anos. Desde então, minha paixão pela longíqua Finlândia só cresceu.
Após anos e anos de “amor platônico”, vi a oportunidade de conhecer o país nas minhas férias de trabalho (sou jornalista e, apesar de trabalhar desde os 16 anos, nunca havia tirado férias na vida). Então, no dia 20 de outubro de 2012 embarquei rumo à Finlândia ao lado do meu namorado, Betto. Fizemos uma escala em Londres e, chegando no Aeroporto de Helsinki, ainda não havia caído a ficha que eu estava no país dos meus sonhos. Ao passar na imigração, o funcionário perguntou o que eu estava fazendo na Finlândia. Disse que tinha ido passar as minhas férias lá e ele perguntou o motivo. Disse que eu amava o clima, as pessoas, a cultura e tantas outras coisas, e ele ficou com cara de “você é louca!”. Hahaha! Depois, disse que não era muito comum ver sulamericanos por lá devido à distância e ao clima do país, que é rigoroso.
Saindo de lá, pegamos um táxi direto para o Hotelli Helka. Fiquei encantada com as árvores na beira da estrada, cujas folhagens apresentavam um tom de marrom e amarelo. Enfim, estava vendo um outono de verdade! Outra coisa que me deixou impressionada foi a cortesia dos finlandeses – desde o avião da Finnair a tripulação havia sido muito gentil e sorridente. O taxista que nos levou ao hotel não falava inglês fluente, mas se esforçou ao máximo para se fazer entender e para nos explicar onde ficavam os pontos turísticos da cidade. Chegamos ao hotel e fomos dormir, havia sido uma longa e cansativa viagem e era um domingo, então não tinha muito para fazer.
No dia seguinte, fomos dar uma volta pela cidade. A temperatura estava um pouco acima de zero grau, mas estávamos bem agasalhados. Nesse dia, não fizemos roteiro, simplesmente saímos andando por Helsinki sem rumo, somente para conhecer o que pudéssemos. Andamos bastante e tiramos muitas fotos – mas ainda faltava algo, ainda estava me sentindo em um sonho, como se aquilo não fosse real. Somente na terça-feira, quando planejamos o que faríamos, eu realmente tive a certeza que estava na Finlândia: quando vi a Catedral luterana Suurkirkko, meus olhos encheram de lágrimas. Aquela imagem que eu tanto via e admirava estava na minha frente, era real, eu estava lá, realizando o sonho da minha vida. Foi realmente mágico, indescritível!
Imagem
Nos outros dias, continuei conhecendo a cidade, mas estava louca para ver a aurora boreal, em Rovaniemi. Comecei a entrar em sites que medem as atividades solares e vi que no dia 25 de outubro o sol estava um pouco mais agitado. Era a minha chance. Fomos até o terminal de trem e compramos passagens para a Terra do Papai Noel. Foram 11 horas de viagem até a capital da Lapônia e, pela primeira vez, vi o que era frio de verdade. Rovaniemi é simplesmente encantadora! Ficamos hospedados no Guesthouse Borealis, um albergue super organizado bem próximo à estação de trem. Lá conhecemos Saila, a dona do local, que foi de uma simpatia ímpar. Ela perguntou quais atividades gostaríamos de fazer e falamos sobre a aurora boreal. Ela mesma agendou com uma agência e, às 20 horas, um carro da Lapland Welcome veio nos buscar no albergue. De lá, nós e um grupo de turistas de vários cantos do mundo viajamos por cerca de uma hora para fora da cidade, por uma estrada cercada por árvores de uma densa floresta, até um posto da empresa de turismo. Lá, pegamos lanternas, usamos o banheiro e bebemos água para encarar uma subida extremamente íngreme, de cerca de uns 20 minutos, até uma clareira no meio da floresta. Estava frio, muito frio, e muito escuro. Demos a sorte de ter um guia brasileiro (estamos por toda parte, mesmo!), que explicou que a floresta possui lobos e ursos, mas eles não se aproximam quando sentem a presença de humanos. Deu um medinho, confesso. Nessa clareira, havia uma pequena cabana, onde os guias prepararam café, chocolate quente e assaram umas salsichas, para nos aquecer enquanto esperávamos pela aurora. Fiquei olhando fixamente pro céu por incontáveis minutos, até que ela apareceu, tímida. Fui a primeira a ver e comecei a balbuciar algo que nem eu entendia. Então, todos olharam e ficaram admirando aquele espetáculo, que durou pouco. Alguns minutos depois, ela surgiu novamente, dessa vez um pouco mais forte. Aquelas luzes verdes dançavam no céu e enchiam de emoção meu coração, que sempre desejou visualizar as luzes do norte ao vivo. Lindo e inesquecível. Por volta de meia-noite, voltamos para o albergue, e durante todo o caminho permaneci em silêncio. A aurora boreal realmente me tocou.
No dia seguinte, pegamos um ônibus em direção à Santa Claus Village, a casa do Papai Noel! Foi um retorno à infância! Chegar naquele lugar, onde é Natal todo dia, foi espetacular! A decoração, a linha que define o Círculo Polar Ártico, as renas (dei comida pra elas!), a loja dos cristais Swarovski… foi perfeito! Até que entramos na sala do Bom Velhinho, tiramos foto e conversamos com esse que é considerado o Papai Noel “original”. Ele foi simpático e disse conhecer algumas coisas do Brasil, como o futebol. Voltamos para Helsinki, mas fiquei com a sensação de que deveria ter ficado por mais tempo em Rovaniemi.
De volta à capital da Finlândia, fomos conhecer o forte de Suomenlinna. Estava ansiosa com esse passeio porque já havia visto várias imagens de lá, e sempre achei lindo. Na realidade, é muito mais do que eu pensei. O dia estava maravilhoso, frio, mas com um céu cheio de nuvens e um sol encantador. Hoje, Suomenlinna abriga museus, teatros, restaurantes e várias famílias moram por lá. Andamos sem olhar os mapas, conhecemos o Museu Bélico e aprendemos um pouco mais sobre a história finlandesa. Até que chegamos em uma parte alta, onde conseguíamos ver o mar. E que visão tivemos! Nada vai apagar essa imagem da minha cabeça, ao longe víamos Helsinki (Suomenlinna fica no meio do mar) e o mar calmo que separa o forte da cidade. Sensacional!
Imagem
Dias antes de voltarmos para o Brasil, pegamos um navio e fomos até Tallinn, a capital da Estonia. Foram duas horas de viagem em um navio luxuoso, com um frio cortante, apesar do sol que brilhava no céu. Tallinn antiga é linda e o chão estava coberto de uma espessa neve, o que fez a minha alegria: nada como pisar na neve fofinha! Ficamos o dia inteiro na Estonia e voltamos para Helsinki pela noite. O dia seguinte foi o nosso último nessa viagem de 11 dias. Andamos pela cidade já com saudades, olhando para cada pedacinho com muita atenção, para não nos esquecermos.
Voltei para o Brasil, mas a Finlândia não saiu de mim. Estou estudando finlandês e, minha próxima meta é voltar para cursar uma pós-graduação no país dos meus sonhos, em breve. Nada me faria mais feliz!