Korpiklaani: expectativa para o segundo show no Brasil

Korpiklaani 2

Entrevista concedida ao Suomi Lovers em maio/2012, antes das três apresentações que a banda fez no Brasil.

Por  Esther de Camargo e Sigryd Bagon
Tradução Esther de Camargo

Mais uma vez no Brasil, a banda finlandesa Korpiklaani, vem nos presentear com sua apresentação que mescla metal com fortes influências folclóricas do país nórdico. Formada por Jonne Järvelä (vocal e guitarra), Kalle “Cane” Savijärvi (guitarra), Jarkko Aaltonen(baixo), Matti “Matson” Johansson (bateria), Juho Kauppinen (acordeom) e Tuomas Rounakari (violino), a banda, ao contrário da maioria, começou como uma banda de música folclórica – então nomeada Shaman – e passou gradativamente ao metal, tornando-se uma banda de folk metal, famosa por suas fortes referências à cultura pagã.

A banda se apresentará no Brasil em três datas:

08 de Junho – Music Hall – Belo Horizonte, Brasil

09 de Junho – Clash Club – São Paulo, Brasil

10 de Junho – Music Hall – Curitiba, Brasil

Nesta entrevista, concedida por Jonne Järvelä à Suomi Lovers, citaremos um pouco mais sobre o trabalho dessa banda, que não passa despercebida, devido a sua originalidade e fortes raízes culturais. Assim como, sobre o que esperar do show e o que a banda espera da famosa audiência brasileira, conhecida como a mais animada de todo o mundo.

 “Eu escrevi a canção tequila logo após a última turnê pela América do Sul enquanto eu ainda estava com sentimentos e humor sul americanos.”

(Jonne Järvelä)

 

 

 SL: Essa não é a primeira vez que Korpiklaani faz turnê pela América do Sul. Como é o sentimento de possuir uma grande audiência em outro continente onde a cultura e, especialmente, o idioma  são completamente diferentes do de vocês?

JJ: É uma boa sensação. É bom e interessante conhecer tipos diferentes de cultura e pessoas. É como um bônus por esse tipo de trabalho, que sempre foi o trabalho dos meus sonhos. Você sempre aprende algo pelos diferentes tipos de pessoas e culturas e isso é algo que torna tudo interessante e bom.

SL : No começo de sua carreira, antes do nome da banda ser definido como Korpiklaani, vocês costumavam compor suas músicas no idioma Sami. Após a mudança do nome da banda, houve também a mudança de idioma. Há a intenção de compor músicas usando o idioma Sami em um próximo álbum?

JJ:  Não, o próximo álbum, chamado Manala, que na tradução significa “mundo dos mortos”, é escrito em Finlandês. Haverá uma edição limitada que irá conter um CD bônus com todas as faixas cantadas em inglês. A maioria de nós está cantando em finlandês hoje em dia.

SL: Shaman costumava compor música folclórica, provinda do norte da Finlândia. Como decidiram se tornar uma banda de metal e como foi a aceitação da audiência diante dessa mudança?

JJ: As pessoas aceitaram bem e nós temos aumentado nossa audiência continuamente a cada ano. Tudo tem sido um desenvolvimento natural e uma forma honesta de nos expressarmos entre nós e a audiência e tenho certeza de que podem sentir a verdade, então talvez esta seja a razão por não termos tido problemas com desenvolvimento e mudanças com o tempo e o mundo em que vivemos.

SL: Como é o processo de escolha das canções para o álbum? Costumam compor todo o material antes de gravar ou apenas anexam antigas composições ao álbum?

JJ: Nós já descartamos algumas canções em cada álbum, mas por algum motivo, nunca usamos estas canções descartadas depois. Costumamos ter sempre material novo mais do que o necessário que gostamos de tocar e gravar para o álbum, então, ainda não tivemos que garimpar na gaveta ainda. Eu gosto do processo de composição e é algo como uma “necessidade”, assim como é beber para os alcóolatras. Começo a me sentir inconfortável se tiver que passar muito tempo longe da guitarra ou de outros instrumentos e tentando compor música.

SL: Recentemente, estiveram em turnê com o Arkona pela América do Norte. Como foi estar em turnê com eles?

JJ: Foi ótimo. Nós dividimos o mesmo ônibus sem qualquer problema. Muitas pessoas vieram até nós nos EUA e perguntaram: “Mas que diabos, como é possível que vocês finlandeses estejam no mesmo ônibus que russos e todos ainda estão vivos e bem?”  J

SL: Além de tequila, vodka e cerveja, podemos esperar por mais alguma canção com nome de alguma bebida para o próximo álbum?

JJ: Não como as canções “Beer Beer”, “Vodka” ou “Tequila”, mas há uma canção sobre como o homem descobriu a cerveja. “Petoeläimen kuola” ou “A Saliva do Predador” é o nome da canção. Ele não conseguia obter o fermento da cerveja, mas então Osmotar, o Deus da Cerveja deu uma dica. Ele deveria ir e conseguir colocar a saliva do predador na bebida, então ele foi buscar a saliva do urso e então era o tempo para a cerveja fermentar.

SL: A canção “Tequila” faz referência a alguns países da América do Sul, incluindo o Brasil. Podemos entender que guardam boas memórias do nosso continente?

JJ: Sim. Eu escrevi a canção Tequila logo após a última turnê pela América do Sul enquanto eu ainda estava com sentimentos e humor sul americanos.  J  Eu inseri todos os sentimentos e alegrias naquelas canção e me sinto muito feliz por ter feito. Agora, onde quer que toquemos pelo mundo, não importa o que esteja errado na minha vida, mas eu começo a me sentir bem e alegre ao menos quando estamos tocando “Tequila”. Esta se tornou uma canção muito importante para o Korpiklaani!

SL:  Como costumam decidir qual canção será cantada em finlandês e qual será cantada em inglês?

JJ: Normalmente a música nasce em finlandês ou em inglês e será assim pelo resto de sua vida, também nos shows. Letras muitas vezes vêm de alguma frase ou sentença e algumas vezes em finlandês, mas outras em inglês. É assim que costuma ser e na realidade a canção escolhe o idioma por si. Agora é um pouco mais complicado pois o próximo álbum “Manala” é cantado em finlandês e o CD bônus é cantado em inglês. Agora, nós devemos escolher qual será o sentimento no momento, qual dos dois idiomas iremos cantar em cada show.

SL:  O título do novo álbum “Ukon Wacka”, faz referência a uma antiga celebração pagã finlandesa. Poderiam nos contar um pouco mais sobre esse tema?

JJ: “Ukon Wacka” ou “vakkajuhlat”, literalmente “celebração da colheita” era uma celebração pré-cristã na Finlândia e em seus países vizinhos, na qual um círculo ou uma plantação oval tinham um papel principal. Costumeiramente, na celebração da primavera algumas sementes germinadas pela chuva de Ukko eram colocadas em um cesto no teto da casa. Essas sementes eram as primeiras a serem plantadas no solo. A cerveja da celebração era fermentada com os grãos da colheita do ano anterior era espalhada pelos arredores na esperança pela chuva. A celebração poderia também ser acompanhada por magia sexual para assegurar a fertilidade para a colheita. Estando obsoleta, atualmente a comemoração é chamada Juhannus, um certo tipo de comemoração durante o meio do verão. Com os elementos espirituais removidos, o que sobrou foi bebedeira e sexo. A importância espiritual dos sacramentos se tornou ateísta e as pessoas apenas fazem bagunça sem valor. A importância do grande trabalho é reconhecida, mas as pessoas não fazem isso em honra a Ukko. Se ao menos Ukko soubesse disso, aqueles que controlam os trabalhadores em suas ilusões de liberdade certamente seriam repreendidos por ele. Ukon Wacka retrata cerimonialmente como a semente das religiões de programação de controle mental é plantada no solo. O cesto simboliza o tanque dos genes dos humanos da Terra e as sementes contidas nele, representam os genes úteis. Ukko representa o grande programador que programa os genes com o programa que ele escolheu, usando raios da luz solar e os conjura para a vida utilizando sua “água da vida”.

O solo representa a cadeia de energia do mundo, na qual os genes das diferentes religiões são nutridas, nas quais localizam e formam grupos incorporando um campo compatível com a realidade desejada. A cerveja sendo pilada em pedaços e bebida cerimonialmente corresponde a exercícios espirituais e sacramentos cerimoniais inevitáveis quando relacionados às sementes religiosas atuais. Relações sexuais ritualísticas eram realizadas em frente ao campo, porque acreditava-se que a energia orgástica reforçariam a colheita. Essa energia era chamada de força Lempo pelos finlandeses. Além disso, nessa metáfora o ato de fazer amor faz referência a religião. Como o germe de Sampsa aterrissa na Terra e vai através de toda a história e futuro da evolução. Ukon Wacka era ocasionalmente mantido durante a estação mais seca por volta do meio do verão, a fim de causar a chuva. Todavia, em adição à celebração da primavera, outra comemoração deveria ser celebrada durante a colheita. Era quando os cestos eram preenchidos com cevada ou centeio e era colocado no telhado das casas para que Ukko os visse. Deliciado pelo festival celebrado para ele, Ukko mandava a chuva que irrigava os grãos, após isso todo o vilarejo se reunia para degustar a cerveja feita desses grãos. Beber cerveja era chamado de Brinde a Ukko. Infelizmente, tudo o que restou do ritual religioso na Finlândia moderna é o brinde. Até mesmo Ukko se esqueceu e as pessoas bebem para quem quiserem.

SL: O que inspirou vocês a gravarem uma cover da música “Iron Fist” da banda Motörhead para esse álbum?

JJ: Nós tocamos “Iron Fist” ao vivo anteriormente no Reino Unido alguns anos atrás, e as pessoas realmente gostaram, então decidimos adicionar ao álbum como uma canção bônus. Claro que gostamos muito da canção e da banda Motörhead. Esta foi nossa canção favorita desde os anos 80,  minha e do baixista Jarkko. Na primeira vez que vimos Motörhead ao vivo na Finlândia em 1988. Estávamos nós dois, eu e Jarkko próximos da primeira fileira no show. Ainda me lembro dos fortes sentimentos e os ouvidos explodindo.

SL: Esse álbum mais recente foi lançado pela Nuclear Blast. Como foi o processo de gravação e como foi trabalhar lado a lado com eles?

JJ: Gravar o álbum foi um trabalho bem difícil. Não estávamos bebendo e fazendo bagunça pois era um tempo caro. Nós apenas fazemos nosso trabalho, que é tentar gravar nossos próprios sons e sentimentos. Isso é tão simples quanto parece. Não há centenas de faixas ou alguma porcaria do tipo. No final, Korpiklaani é uma banda de rock’n roll bem tradicional com fortes influências folclóricas.

Gostamos de estar e trabalhar com a Nuclear Blast. Eles nos dão liberdade para fazermos o tipo de música que quisermos e isso é muito importante. Tudo foi muito bem e sem problemas, não temos nada a reclamar.

SL:  Quais são suas expectativas para essa nova turnê? E o que os sul americanos podem esperar do show do Korpiklaani?

JJ: Estou esperando um público muito barulhento e animado aí.  Nós daremos uma grande festa, então, estou certo de que será divertido com um bom povo. Vamos beber e nos divertir, OK!

Agradecimento especial  Costábile Salzano Jr. 

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